28/07/2011

Viajei pelos bairros de BH, já que não podia viajar para outras cidades

Haviam 3 anos que eu morava em BH e conhecia muito pouco da cidade! Então resolvi ficar morando por mais ou menos uma semana em cada bairro da cidade onde eu conseguisse hospedagem (seja na casa de conhecidos ou de desconhecidos).

Dessa forma eu pude continuar indo à faculdade, não atrasei meu semestre, pude continuar ganhando alguma grana por continuar indo diariamente pro trabalho (ainda que, dependendo do bairro onde eu estivesse hospedado, fosse maior luta ir e voltar do trampo por ser muito longe e precisar pegar vários ônibus).

O resultado é que agora eu conheço um pouco mais a cidade onde eu moro, eu conheço outros estilos de vida de se viver dentro de Belo Horizonte, e eu pude conhecer e aprender outras coisas, como em uma viagem "comum" pra outros países, estados ou cidades. :P

A hospedagem foi por conta do CouchSurfing, gratuitamente como sempre, apenas com a gentileza das pessoas! :D



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11/07/2011

5 horas de viagem com uma travesti, que viajou sozinha de carona por vários estados brasileiros

O último feriado havia passado, e todo o meu plano de ir pedindo carona de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro foi por água abaixo graças a umas provas que tive que fazer. A última vez que eu havia viajado foi no carnaval, uns cinco meses(!) atrás.

Postei no Facebook uma mensagem perguntando se alguém teria sugestões de outro lugar onde ir em vez do Rio, algum lugar em Minas. Obtive umas cinquenta respostas, mas no fim das contas acabei decidindo ir pra minha cidade natal no interior de Minas, Raul Soares! Como se já não fosse entediante o suficiente, desisti de ir de carona porque já estava ficando muito tarde.

A travesti da bagagem rosa

Até que eu vi êla, uma travesti guardando sua mala pra entrar no ônibus. Com seus super seios turbinados, um cabelão lisíssimo até a cintura, as sombrancelhas bem fortes feitas de lápis, bagagem rosa ultra chegay, e um vestido azul (bem elegante!) curtíssimo. Sozinha e imponente, daquelas que jogam na cara que é um homem vestido de mulher, e não está fazendo questão alguma de passar impercebível como se fosse uma mulher comum.

É, eu admiro as travestis. Poucas pessoas são fortes o suficiente pra enfrentar o que elas enfrentam todo minuto de vida até nos dias de hoje em pleno 2011. E eu digo "enfrentar" por quê sempre, em qualquer lugar que elas vão, há aqueles que passam de longe e gritam querendo provocá-las. Gritam coisas sobre seus corpos ou suas aparências. E há também aqueles que passam as desejando de forma bem discreta, um desejo que só elas sutilmente percebem (e como elas percebem!).

Êla, a travesti que tava guardando sua bagagem (não posso usar a palavra "mala" nesse contexto pra evitar ambiguidade) se chama Cátia. Cresceu na mesma cidade que eu, estudou na mesma escola que eu, teve os mesmos colegas de turma que eu, e inclusive me bateu algum dia depois da aula quando éramos criança.

Depois que crescemos, eu morei em várias outras cidades e quase nunca voltei à nossa cidade natal. Então raríssimas vezes nos vimos, mas sempre que isso acontecia eu fazia questão de cumprimentá-la, como uma tentativa de puxar conversa. Numas dessas poucas conversas acabei descobrindo segredos bem reveladores sobre pessoas da nossa cidade que geralmente têm certas atitudes homofóbicas. Descobri segredos até de familiares próximos meus, daqueles típicos "machos" da família. Mas não quero entrar nesses detalhes.

Um fato inusitado é que em homenagem à essa travesti (a única da minha cidade natal), certa vez eu ganhei um filhotinho de gato e dei seu nome a ele. Sim, meu gato se chamava Cátia. Eu morava numa república com 12 homens heteros em Viçosa (também interior de Minas), e cheguei a ouvir um dos caras da república dizer que não aceitaria que eu desse um nome feminino a um gato "macho". Terminei aquela discussão com um curto e grosso "Quem é o dono?".

Quando Cátia entrou no ônibus que nos levaria rumo à Raul Soares, todos olhavam pra ela. Um cara havia assentado em seu lugar (assento marcado na passagem), o que a levou a pedir a ele pra dar licença. Os amigos do cara, que estavam na poltrona de trás, estavam rindo e fazendo altas piadas, durante o tempo que ele se mudava para a poltrona ao lado. Sabe-se lá se estavam rindo se divertindo de algo aleatório, ou se estavam fazendo piada contra o cara porque ele iria viajar assentado ao lado dela. Só sei que enquanto isso eu estava lá atrás empolgado gritando o nome dela. "Cátia! Tem um assento livre aqui, vem pra cá sentar comigo!". Mas ela preferiu ir no seu assento reservado mesmo, talvez porque era um assento à janela, ou talvez porque esse cara que estava ao seu lado era um gato mesmo. rsrs

Passou mais ou menos uma hora, e a merda do engarrafamento não havia nos deixado sequer sair da região metropolitana de Belo Horizonte ainda. Eu já tava quase pulando pela janela, me roendo inquieto, entediado, sem nem sequer ter meu celular pra me entreter. Acabei indo até a Cátia e a convidando novamente a assentar-se comigo. Ela aceitou.

Ao assentarmos, uma garotinha que estava no banco à nossa frente pulou em pé no banco e ficou perguntando pra sua mãe:

- Ele é o amor dela? - apontando pra gente.
Cátia:
- Não, ele é só meu amigo..
E a menina continuava perguntando. Até que a mãe dela respondeu:
- Ela é amiga dele, não é o amor não!

Fofura a falta de certos preconceitos na cabeça das crianças.

O tempo foi passando e eu e Cátia fomos conversando. Ela me contou sobre seu mundo, seu dia-a-dia. Sobre ela gostar muito de viajar, e sobre durante uma fase que ela viajou bastante pedindo carona(!) por vários estados brasileiros. Ela além de sair sem grana, não tinha Couchsurfers ou amigos de internet, nem amigos de amigos que pudessem hospedá-la. Ela se virava por aí, e ia conhecendo vários lugares sozinha! Acredito que por isso a gente pôde falar de tantos assuntos variados, e sobre os "mundos" tão diferentes nos quais vivemos.

Já escutei histórias de pessoas que viajam assim e se prostituem. Garotos gays muito frequentemente assumem uma postura mais afeminada e muitas vezes se travestem não por se identificarem com aquele gênero ou estilo de vestir, mas sim pelo fato de que assim eles começam a ser mais procurados por homens e clientes em geral.

Muitas dessas pessoas que se prostituem, quando não gostam de um cliente ou outro, chegam a furtar dinheiro de suas carteiras (sem que o cliente se dê conta, claro), e fazem isso porque acharam que aquele cliente "merece". As formas sutis de esconderem o que furtaram (dinheiro ou o que seja, caso furtem algo diferente) varia bastante. Algumas escondem as notas furtadas em meio ao cabelo preso. Algumas conseguem escondê-las até entre o pé e o chinelo, caso estejam calçando chinelos(!).

A vida de pessoas que se prostituem nas ruas geralmente é bem incerta. Elas passam a noite em ruas ou postos de gasolina à beira da estrada esperando aparecer algum cliente. E eu suponho que sempre há clientes, caso contrário não seria tão comum encontrar pessoas nessa profissão por anos. Algumas as vezes furtam, às vezes enfrentam clientes tão hostis e perigosos quanto elas mesmas (não todas) podem ser. Elas aprendem a serem hostis pra se defender.

Quando eu conto pra pessoas que se prostituem e viajam, assim como a Cátia, que eu também já viajei assim sem grana, me hospedei na casa de pessoas que não conhecia, e etc, elas logo me perguntam se eu nunca troquei sexo por uma carona, por uma hospedagem ou por um prato de comida. Não, eu nunca. Elas dificilmente acreditam que possa existir tanta gentileza no mundo.

Nosso ônibus parou em um posto desses grandões de beira de estrada pras pessoas comerem. Cátia me disse enquanto fumava seu cigarro:

- Claro que eu gosto de chamar atenção. Mas não é sempre. Agora por exemplo, eu sou uma pessoa qualquer viajando, mas as pessoas em volta só olham pra mim.

Propuz que viajássemos pedindo carona juntos pra algum lugar qualquer dia. Acho que ela gostou da ideia.

Enquanto todo mundo dormia no ônibus o resto da viagem, nós dois lá atrás não parávamos de falar. Chegamos a Raul Soares e nos despedimos.

Raul Soares é uma cidade pequena, então no dia seguinte acabamos nos encontrando. Estávamos numa festa à noite, eu usava pó compacto e base no rosto, lápis e sombra nos olhos, enquanto vestia roupas masculinas mesmo. Foi mais uma homenagem que fiz à ela, ou uma inspiração vinda dela.




De Belo Horizonte à Raul Soares foram 5 horas de viagem que fiz junto com Cátia naquele ônibus da capital até nossa cidade natal. 5 horas de bastante conversa com aquela pessoa que a mim me pareceu tão igual à cada um daqueles que desde criança eu escutei (e escuto) fazendo piadas com seu nome lá na nossa cidade de interior. Uma pessoa tão igual a mim que sou admirado por aquelas pessoas da nossa cidade de interior pelo fato de eu ter conhecido tantos lugares diferentes só na cara e na coragem.

A diferença entre eu e Cátia, no mérito (viagem, etc) que faz essas pessoas da nossa cidade natal me admirarem, provavelmente está no fato de que ela viajou e viveu "aventuras" muito mais intensas do que as minhas. Mas provavelmente ninguém jamais verá isso.
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30/05/2011

Carnaval 2011 - pedindo carona na BR durante a noite pra chegar no meio do carnaval de Ouro Preto. Depois seguindo pra cidade de Raul Soares

Tavamos na PUC São Gabriel na aula a noite e fomos pra saída da cidade (Belo Horizonte) pedir carona durante a madrugada.. Só não foi fácil chegarmos lá, primeiro o cobrador do ônibus que pegamos até a saída da cidade disse pra descermos em lugar errado, e ficamos pedindo carona em sentido errado! Uma história e tanto, andamos pra caralho pelo anel rodoviário...

Carnaval Ouro Preto 2011 - Pedindo carona de BH pra Ouro Preto a noite - Parte 1/2

Nosso destino real era a cidade de Raul Soares, mas decidimos parar em Ouro Preto pra curtir o resto da noite de carnaval da sexta-feira. Então saímos da PUC, pegamos o ônibus rumo à saída da cidade e descemos onde o cobrador avisou.
Ficamos lá pedindo carona e ninguém nem businava. Até que um cara que parou pra mijar por perto perguntou:

- Pra onde vcs estão indo?
- Ouro Preto!
- Mas aqui é a saída pra Brasília!

Ahhhhhh bosta!! cobrador lesado. eu nunca confio demais, mas hoje dei a bobeira de não pedir informação pra mais pessoas além do cobrador. Então saímos andando pela BR tentando conseguir uma carona até o BH Shopping, que era o caminho certo que deveríamos pegar..

Conseguimos chegar na saída da cidade com muito custo. A partir daí, eu ainda tava fazendo um vídeo e um caminhão parou!

Chegamos no meio da noite de carnaval, na sexta-feira, em Ouro Preto.. então curtimos a noite por lá, e quando amanheceu seguimos pra saída da cidade pra continuar a viagem.



Carnaval Raul Soares 2011 - Pedindo carona de OP pra Raul Soares a noite - Parte 2/2

Amanheceu e fomos pra saída da cidade, depois de virar a noite curtindo o carnaval na rua direita. A bateria do celular estava acabando, então nem deu pra fazer vídeos durante a noite de carnaval por lá.

Pra sair de OP só passavam carros de família cheios, e a gente penou pra conseguir sair de lá (mortos de cansados). Como a bateria estava nas últimas, pelo meu cel só deu pra gravar alguns vídeos saindo de OP.



Até gravamos outros vídeos com o celular da Letícia, mas até hoje ela não me mandou!
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19/01/2011

How to hitchhike from Rio de Janeiro to Belo Horizonte - A guide to foreigners



Hitchhiking from Rio de Janeiro to Belo Horizonte in 4 steps:

  1. 1st step: take a bus from Central do Brasil (Rio de Janeiro) to Vila Canaã (border of Duque de Caxias), and ask to get off it in the toll
  2. 2nd step: thumbs up! there's a Federal Police next to the toll
    (the cars go too fast by this toll, anyway i got a ride in less than 20minutes. maybe it'll be easier to you if you take a bus to Petrópolis and start hitchhiking from there. but the bus is like 10reais more expensive -not too much, but you can drink like 3 bottles of beer with the difference hahah-)
  3. 3rd step: bye bye! ;P
  4. 4th step: watch the video bellow or hitchhike to learn this step.


about my trip

I got 3 rides.. about each one:
  1. 1st ride: took me from Duque de Caxias (border of Rio de Janeiro) to Três Rios (RJ)
  2. 2nd ride: from Três Rio (RJ) to Ressaquinha (Minas Gerais)
  3. 3rd ride: from Ressaquinha (MG) to Belo Horizonte (MG)
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29/11/2010

Coisas idiotas que caroneiros fazem quando estão ferrados e ninguém passa

hahahahahah



este vídeo me lembrou tanto os milhões de momentos que eu e Maria ficávamos fazendo coisas estúpidas e aleatórias na beira da estrada pra deixar o tempo passar sem ficarmos estressados pelo cançaso, sol forte e coisas do tipo..
pq não sei se vcs sabem, mas temos que cuidar o máximo possível pra não ficar pedindo carona com uma cara de mal amado, como se fosse bater em quem parar.

este aqui é um desses nossos momentos:




Também achei uns vídeos legais de uns japoneses também fazendo coisas estúpidas pra se divertirem (huashaush), mas tá em inglês. Eles chegaram a pedir carona no meio da cidade (isso realmente é loucura, mas já fiz algumas vezes tbm):
Hitchhiking in Japan
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06/11/2010

Pessoas que não me conheciam e me ofereceram um teto

Bom, assim como a Pira (a garota de Florianópolis que eu estava hospedando algumas semanas atrás), existem outras pessoas que também me encontraram por acaso na internet e me ofereceram hospedagem pelo mundo afora. Geralmente me encontram navegando pelo google, orkut, youtube, couchsurfing, etc..

Me lembrei de dois vídeos que tenho contando algumas dessas histórias:

Em João Pessoa - Paraíba (onde o sol nasce primeiro em toda a América)



Em Porto Alegre - Rio Grande do Sul (passando o Natal com uns Equatorianos e uma família que não era a minha)



Olha que bunitinho:
"Eu conheci o Leo pela internet. E me apaixonei, quase chorava." (Larissa)

:)
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03/11/2010

Leo carona, que nada!

Isso aí que é caroneiro de verdade:


fonte: quatro cantos

Isso aí eu nunca fiz.

Se você entrou neste post querendo ler sobre o Leo que viaja por meios mais convencionais de se pedir carona na beira da estrada, assista essa entrevista em vídeo. :P

Três tipos de carona, três palavras diferentes no inglês

Mas agora, veja algo interessante que achei:
O termo carona usado no Brasil pode ser traduzido de três formas para a língua inglesa, cada uma com seu significado específico. A carona feita regularmente entre amigos ou colegas de trabalho é chamada "carpool", enquanto que a carona solicitada em vias públicas a desconhecidos é designada "hitchhiking". A carona "clássica", ou seja, a carona esporádica entre conhecidos é referida pela expressão "get a lift" ou "get a ride".
fonte: Wikipedia


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